Referencial

Publicado: 30 de maio de 2012 em Uncategorized

‎”Talvez nem tudo esteja realmente como parece
Ou talvez nada tenha que seguir de acordo com o plano
Talvez o problema seja haver o plano
Ou desacreditar no improvisável
No improvável, no externo

Passamos muito tempo acreditando na inconstância dos atos
E isso acaba mascarando os erros, as vontades
Os insucessos, as glórias
Mas é provável que o segredo não seja a linearidade
Planejar nos faz imaginar preparados
Pseudofantasia 
Vejam, o sonho é bom e deve ser infinito
Mas o passo deve ser nas pequenas magnitudes.

E cá estamos de novo
Mas dessa vez, o hóspede sentou à esquerda
Forçou-no a procurar novas rotas
Novas entranhas, novos espaços
Novas inspirações, novas maneiras

E as cenas acabaram sendo outras
As lápides eram de outros
E os aplausos, para os que verdadeiramente mereciam
Engraçado e curioso

A perspectiva é tudo.”

“A verdade do vazio”

Publicado: 10 de agosto de 2011 em Contos

Ele estava sentado, apenas sentado, no banco da praça imunda.

Pensou em fumar um cigarro, mas ele não queria fumar na chuva, Ele só queria pensar, deixar a raiva passar, mas, em suas condições, fica cada vez mais difícil segurá-la dentro de si.

Ela era tudo que ele tinha… Ela e álcool…  Mas sem ela, o álcool desce trágico… Desce mais quente do que devia… E ele pensa em coisas nefáveis demais…

Nunca foi santo, nunca foi carrasco, sempre garantia o bem dela. Ele viveu pra isso, só pra isso, todos os malditos anos da vida dele…  E poucos minutos de sono profundo foram o suficiente para ele encontrá-la nua, de perna aberta, sangue saindo pela vagina, seios totalmente perfurados e cortes por todo o corpo…

Ele estava sentado, apenas sentado, no banco da praça imunda… Quando não conseguiu mais segurar seu ódio.

Um homem se levanta de um banco de uma praça imunda e começa a andar na chuva, ele sai da praça, anda pela avenida até um beco, sobe uma escada de incêndio, entra em um quarto pela janela, e vê uma mulher morta, ele para por alguns segundos olhando essa mulher, depois olha para o chão, começa a chorar, então ele vai em direção a cama, tira o lençol, e a cobre. Então ele arrasta a cama, ate encostá-la na parede ao lado da janela, sobe em cima dela, tateia o teto ate achar a falha, é mais difícil no escuro, mas ele a encontra e tira de dentro dela sua pistola, Smith & Wesson.46, ele gira o tanque, está cheio, então ele sai pela janela, na noite…

O Paulie’s era um restaurante bonito, e familiar, mas se tornou um pedaço do inferno no momento em que um homem sujo e molhado, entrou segurando uma S&W.46, olhou para um dos garçons e disse “Você tem 5 segundos para livrar sua cara, UM NOME”

1… O garçom olha para todos com cara de assustado…

2… O garçom começa a se virar…

3… O garçom começa a correr…

4… O garçom leva um tiro na nuca, que faz com que na saída da bala, ele não tenha mais face.

5… O homem molhado e sujo começa a se virar.

O homem sujo e molhado olha para o bigodudo no balcão e diz  “Me desculpa Paulie. Você tem um nome pra mim?”  O bigodudo responde automaticamente “Russos, apenas o que eu soube.”  O homem sujo virou e saiu do Paulie’s.

A chuva piora e a noite fica mais fria, mas um homem sujo andando pela rua não se importa, ele anda na reta da avenida por vários quarteirões, ate ver o luminoso vermelho escrito Russian Club, então ele olha para o brutamonte na porta e percebe que não será por ali a sua entrada.  Ele vira no beco, e vira na virada que tem no beco, que da para a janela da cozinha, ele dá 2 toquinhos na janela,  um dos cozinheiros olha, ele então diz “Tenho uma proposta do Paulie pra você, seja rápido, venha aqui.” O cozinheiro saiu pela portinha que tem nos fundos e o homem nocauteou-o no gógó com coronhadas ate ele não respirar mais, entrou, e subiu as escadas a sua frente, se virou e ficou cara a cara com um homem gigantesco, o qual levou um tiro no meio da testa,  e abriu com as costas as portas,  para um recinto que tinha 5 homens nus e umas 12 prostitutas.

O homem molhado e sujo andou lentamente para dentro do recinto, pegou a Glock 17 que estava no chão ao lado do homem morto e apenas disse “Foi um de vocês, eu quero um nome e um rosto, ou todos morrem, inclusive as prostitutas, os funcionários, os clientes, e essa merda dessa birosca.” Russos se apontaram e foi uma confusão de nomes, então o homem molhado disse, calmamente “Obrigado por me dizerem quem foi.”.

Cada homem daquela sala levou uma bala na cabeça, num espaço de 15 segundos, todos estavam caindo no chão. E as prostitutas faziam uma ópera sombria com seus gritos de desespero, o homem molhado e sujo não disse mais nada, jogou a Glock no chão, fechou as portas, e saiu calmamente do Russian Club, ele não ficou ao máximo 2 minutos dentro do clube, o resultado disso foi 6 corpos a mais na lista de trabalho dos legistas da cidade, e o inicio de uma perseguição policial que não vai dar em nada.

O homem sujo e molhado voltou a andar pela avenida da cidade, calmamente, cruzou os 12 quarteirões ate outro bar, não tinha letreiros ou placas, na frente desse bar, não tinha sequer uma pintura, apenas uma porta enferrujada em uma rua suja e escura cheia de lixo pelo chão e com um fedor perturbador de gordura velha misturada com mijo. Ele entrou no bar, haviam 2 homens caídos no chão, com facas nas costas e outros seis homens dispostos em mesas diferentes, com sorrisos amarelos. Ele foi ate o balcão, e a cada passo que ele dava, ele encarava um dos homens. Ele sentou no balcão, puxou 25 dólares e disse “Hey Jim. Me traga algo que me mate hoje, um cigarro e uma caneta também.”  Ele então pega o seu maço de cigarros ensopado e joga no chão.  O homem no balcão traz um drinque com dois comprimidos dentro, uma caneta e um cigarro, e só diz “Você precisa engolir os comprimidos”.

O homem então acende o seu cigarro, e fuma lentamente, sem nem tocar no drinque.  Ele então puxa um pedaço de papel, escreve nele “Aqui jaz um homem que nunca teve um nome, mas que acha que teve a sua vingança.” E coloca dentro do bolso de sua calça. Então ele bebe o drinque, e, em questão de dois minutos, ele cai no chão, em espasmos, que duram cerca de 45 segundos, e depois nenhum movimento.

Em um bairro indecente de uma cidade de merda, dentro de um bar sombrio na noite triste, um homem molhado, com um bilhete no bolso e uma lágrima nos olhos, está morto. Ele morreu ouvindo “You Take My Heart Away”…

 

Skald Arthur, O Nefável

Música da alma 2

Publicado: 25 de julho de 2011 em Músicas

Olá meus caros, nessa plena segunda-Feira ( Sei que não é um dia muito legal), venho mostrar para vocês mais uma música.

A música de hoje é de uma banda francesa chamada Alcest, que tem como sua temática a beleza em geral, o que faz com que eu tenha uma experiência bela e única, cada vez que eu escuto suas músicas.

Bem, aproveitem a música e uma ótima semana à todos vocês :

Um dos maiores clássicos de ficção científica já escrito. Segue a linhagem da literatura distópica. Apesar de ser escrito em 1953, retrata basicamente o nosso presente ou um futuro não tão distante..

“Ray Bradbury cria uma sociedade futurista onde é expressamente proibida a leitura de livros, os quais, quando encontrados, são queimados pelos chamados “bombeiros”, que ao invés de apagar incêndios ateam fogo em todos os exemplares que encontram pela frente. Referida lei é emanada de um governo opressor e totalitarista, que busca com isso manipular a população, mantendo-a ignorante e submissa.

Montag é um dos chamados bombeiros, porém sua impressão sobre os livros muda após conhecer Clarissa, a qual lhe instiga ao prazer da leitura levando-o a burlar a lei. A esposa de Montag, por sua vez, é completamente alienada e refém da televisão, que exerce sobre as pessoas elevada carga de domínio psicológico visto que a comunidade praticamente não sai às ruas, preferindo viver trancafiada em suas residências. “

——

O livro vai se pautar nessa inversão de valores. Montag começa a se auto-questionar até se render a literatura, pela qual se apaixona. O interessante é que no momento que ele se torna intelectual, é na verdade, marginal. A Resistência começa a caçá-lo. Em meio a isso, uma sociedade completamente mais idiotizada e dominada por uma pequena elite.

E o paralelo com o real se torna inevitável. Basta apertar o botão de comando e veremos um lixo televisivo empurrado goela abaixo em milhões de casas diariamente. Todo o pragmatismo e ignorância imbecilizando cada indivíduo. Inversão de valores constante.

Também hoje os livros são queimados quando os deixamos pegar pó na estante e damos ouvidos a toda essa incultura promovida pelos meios midiáticos.

Se a realidade é dura e diagnosticada como um mal, ‘não temos, é claro, de abrir mão de ser felizes. Mas quando a felicidade se torna mero interesse pela sobrevida e pela busca incessante de prazer, o resultado é a perene insatisfação consigo, a indiferença para com o outro e o esvaziamento do próprio sentido da vida.’

“- Aqueles que não constróem, devem queimar.
– Eis o que eu sou.
– Todos nós estamos mais ou menos marcados com esse sinal.”

“Compreende agora de onde vem o ódio, o terror aos livros? Eles mostram os poros do rosto da vida. Aqueles que vivem no conforto, bem sentados, não querem ver outros rostos que não sejam luas de cera, sem poros, sem cabelos, sem expressão. Vivemos num tempo em que as flores se esforçam por substituir por si mesmas, e não pela terra rica e pela chuva benfazeja.”

Rômullo Carvalho.

A beleza que não percebemos

Publicado: 21 de julho de 2011 em Fotografias

Eu simplesmente caminhava numa tarde de sexta quando me deparei com essa planta, o que no exato momento fez vir a mim o seguinte pensamento : Será que reparamos e aproveitamos a beleza das coisas simples ?

Muitas vezes nós complicamos  situações do nosso dia-a-dia, sem pensar que as mesmas podem ser resolvidas facilmente se as tratarmos  com leveza e calma. Então meus caros, o que deixo para vocês é : Vivam as coisas simples da vida, pois, elas podem ser mais belas do que vocês pensam. =)

Drumond, Giovanni

Aniversário do Blog !

Publicado: 19 de julho de 2011 em Uncategorized
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É com imensa satisfação anunciar que o blog chegou a seu aniversário de 1 ano !

Durante esse período, inspirações chegaram, sentimentos se transformaram e as palavras foram bordadas em cada texto. Agradecemos a todas as visitas e comentários recebidos!

Esperamos que outros aniversários venham pela frente e com ele mais textos, músicas, letras, reflexões e expressões de arte em geral

E para comemorar, teremos certas novidades.

Para isso, contamos sempre com o apoio de vocês. Comente, mande suas composições e divulgue o “Ambiguação Almática” !

Vamos nos tornar uma família ligada pela arte!

“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”
(Mahatma Gandhi) 

“Tenho visto que males tem nascido
Pelo muito falar” (Francisco Joaquim Bingre)

Se o mundo moderno é cada vez mais barulhento,
Deve-se reconhecer que somos carentes de silêncio
Entregar-se ao som ofegante do falso falar
Leva à superficialidade, esvazia, rouba a reflexão, o aprofundamento.

Silêncio é o grito sufocante
Ele é a necessidade para ouvir os sentimentos
Nada de vazio ou incompreensivo
Ao abandonar o falatório vulgar,
Deixamos a alma dizer.

Tenha cuidado para que o teu silêncio
Não lhe traga mágoas ou culpas
Não devemos viver para sempre no silêncio
Pois o espírito também necessita se expressar

Muitas pessoas o temem
E até o discriminam
Mas se temos que nos auto-questionar
Que seja no esquecimento do nosso silêncio

Ele é misterioso, ocultador de histórias
Esconde as maiores verdades que jamais desejamos ouvir
É na calmaria da voz que os maiores atos de sabedoria se manifestam
Como dizem, o silêncio deve ser respeitado

Mesmo triste, é companheiro
É nele que sabemos escutar
Os ecos dos nossos pensamentos
Encontramo-nos conosco
E enxergamos a nossa essência
Concluindo que a externalidade não é nada

Silenciar é dom
Talvez as falas mais fascinantes, não alcancem essa profundidade
Que me toma agora.

“Quem não sabe pôr em sua vida zonas de silêncio, não tarda a viver na periferia de si mesmo…” (Frei Walter Hugo de Almeida)

Rômullo Carvalho

Música da Alma

Publicado: 17 de julho de 2011 em Músicas

Olá caros leitores, venho por meio deste post mostrar à vocês que, a cultura brasileira é sim de se orgulhar.

Uma das melhores coisas que já me aconteceram foi conhecer esse tal de Cartola.

Que gênio, grande mestre, pleno criador de bela poesia. Vejam (Escutem) o vídeo a seguir e comprovem o que eu digo =) :

Boa caminhada para vocês, almas vagantes !

Obs : Pretendo toda semana postar uma música diferente ! =)

Drumond, Giovanni

O que importa

Publicado: 15 de julho de 2011 em Poesia

Me fez feliz , de um jeito que nunca fui
Me falou o que eu sempre quis ouvir
Me mudou , eu podia voar pensando em você
Me levou ao paraíso sem eu precisar morrer
Me levou a perdição do sentimento puro

Mandou eu te esquecer ; como poderia?
Como poderia desistir de minha felicidade?
Recém-conquistada , imatura
Seria o melhor pra mim?
Sem você? Nunca

Me perdi , me corrompi , pensando em você
Confusões tomaram minha mente
Mas sempre pensava em você
O relógio corria contra mim
Mas meu mundo parou , estava sem você

Fui ao inferno , me destruí por dentro
Queria achar uma razão para estar ali
Porque assim tão rápido?
Do céu ao inferno em poucos dias
Tudo havia mudado
Porém eu não queria aquela mudança
Eu cheguei em um lugar onde os corações despedaçados
Os sentimentos destruídos , se encontravam
Almas sedentas de afeto e compaixão

Algo mudou , o tempo o fez
Me vi na Terra de novo
Sai das sombras
Raios de luz cruzavam os céus até a Terra
Iluminavam minha mente , meu ser
E der repente quase que sem querer te vi

Ali tão perto e tão longe de mim
A alegria , simplesmente de estar com você
Mesmo que só para ter sua presença
Conclui que ; Não importa o Céu…
Nem o inferno….
Se aqui na Terra eu posso estar com você.

Rangel, Gustavo

Feridas lúcidas

Publicado: 14 de julho de 2011 em Poesia

Transforma minha prece
na mais pura devoção,
e faz com que essa incerteza fértil
sucumba à exatidão.

Nessa dor que lhe tira lágrimas
percebo pistas de outros tempos,
Não vamos nos enganar minha amada,
pois é isso que nós vemos.

– Homem de nada !
Querem que eu escute eles dizerem,
mas minha amada,
não deixe os outros verem.

E como numa reencarnação
me disponho à plena expiação.
Porém o calor dentre à sua mão,
comprova minha dura alusão.

Eu te pertenço, tu sabes oh minha flor !
Apenas acabe com a minha dor …

Drumond, Giovanni